Dicas

10/9/2007
ALICE COLTRANE - TRANSLINEAR LIGHT
 

Último trabalho gravado pela pianista/organista/harpista/compositora/arranjadora Alice Coltrane, que faleceu em janeiro passado, com 69 anos.

Alice gravou vários  trabalhos solo e pode ser ouvida em vários discos de outros artistas como: 'Extensions' de McCoy Tyner (um de meus preferidos); 'Live in Japan', 'Live at Village Vanguard Again' e 'Stellar Regions' de John Coltrane - para quem não sabe, seu marido; e outros.

O time de Translinear Light: Alice Coltrane (piano, sintetizador e órgão Wurlitzer), Ravi Coltrane (sax tenor e soprano), Jack DeJohnette, Charlie Haden, Jeff 'Tain' Watts, Oran Coltrane (sax alto) e James Genus (baixo).

A primeira faixa, "Sita Ram", traz um belíssimo solo de Alice no Wurlitzer. Em "Walk with Me", segunda faixa, um belo clima de paz é expressado pelo trio Alice/ Watts/ Genus.

Outras de minha preferência: "Leo", a mais free do Cd, com um solo furioso e maravilhoso de DeJohnette; "This Train", um spiritual com Alice novamente ao Wurlitzer e com a swingadíssima cozinha Haden/ DeJohnette; "The Hymn" com seu filho Oran, num clima meditativo; "Black Nile", um tema simples e muito bom de tocar, com Ravi, Watts e Genus.

'Translinear Light' é um dos poucos discos de jazz lançados mais recentemente que me despertaram o interesse de fazer várias audições. Há um clima de inegável honestidade e espontaneidade nesse som.

Reaparei numa coisa: em relação à música americana, eu continuo ouvindo os sons da década de 40 a 70, ou os mais recentes de artistas que gravam desde essas épocas, como Wayne Shorter ou Keith Jarrett.

Não dá pra engolir os "novos talentos" que os selos americanos especializados tentam nos empurrar. É tudo muito acadêmico e asséptico... Várias coisas são bem gravadas e tocadas, é inegável. Mas não há surpresas e, muito menos, o espírito de liberdade ao tocar.

Há um vazio na música americana atual, e eu não pago o preço caríssimo de suas maravilhosas embalagens.

Tenham um bom mês!
Abraço,
Michel

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