Dicas

16/2/2009
WEATHER REPORT - PROCESSION
 

Ouvi pela primeira vez esse disco há uns vinte anos! Comprei-o em vinil numa loja de usados no centro de São Paulo e, inclusive, foi o primeiro disco do Weather Report que ouvi. Hoje, ouvindo novamente (confesso que pela terceira vez consecutiva), ainda descubro coisas, principalmente os inúmeros timbres inomináveis de Joe Zawinul e detalhes sutis em vários momentos.

O disco começa com a faixa título, numa das mil faces sonoras do grupo que, ao meu ver, chegou ao objetivo que Wayne Shorter descreveu numa entrevista na qual ele disse que "no começo da década de 70 se reuniu com Joe Zawinul e Miroslav Vitous para fazer música diferente". Procession é de 1983 e esse espírito permaneceu no grupo que, além dos fundadores Wayne Shorter e Joe Zawinul, trazia Omar Hakim, Victor Bailey e José Rossi - então recém-chegados, imediatamente após a bombástica formação com Jaco Pastorius e Peter Erskine.

A segunda faixa é Plaza Real, belíssima composição de Shorter, cheia de climas maravilhosos de Joe Zawinul, um homem que conseguiu a excelência também no que se refere a usar a tecnologia dos sintetizadores a favor da música. Impressionante.

Em seguida vem a energética Two Lines, uma das que mais ouvi do disco desde que o conheço. A levada da bateria no tema é originalíssima, além de muito swingada. Diz Omar Hakim que a idéia veio da programação que Zawinul fez numa Linn drum machine.

Where the Moon Goes vem em seguida com um clima único, uma composição muito bonita com uma seção final memorável. Essa tem a participação do grupo vocal Manhattan Transfer.

A quinta faixa, The Well, é um dos vários e belos duos improvisados de Shorter e Zawinul que estão presentes na discografia do Weather Report. Lembro-me do próprio Joe Zawinul falando disso no workshop aqui no Souza Lima em 1995. Ele dizia que tinha horas e horas desse duo em um monte de fitas que guardava em casa e que "nunca era igual".

A sexta faixa, Molasses Run, é uma bonita composição de Omar Hakim que nos traz o senhor Wayne Shorter fazendo o solo mais animal do disco - coisa não rara em sua longa carreira. Lembro-me da sensação que tive ao ouvir isso há vinte anos. Uma palavra me vinha à mente: ritmo! Eu não tinha ouvido nenhum outro cara tocar com aquele ritmo! Lembro-me de ficar repetindo esse solo, muitas e muitas vezes, quase furando o vinil. A sensação de prazer ao ouví-lo agora é a mesma daquela época, ou ainda maior.

Tem um site chamado "Weather Report - The Annotated Discography" que tem bastante informação, histórias e entrevistas com membros do grupo falando de cada disco. Achei muito legal, dê uma olhada, clique aqui.

Para mim, Weather Report não é "fusion" ou qualquer outro rótulo idiota... Weather Report é música, e realmente diferente.

Abraço!
Michel

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